quarta-feira, 10 de março de 2010

Exército Zapatista de Libertação Nacional

Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), em castelhano Ejército Zapatista de Liberación Nacional, é um grupo revolucionário armado baseado no estado mexicano de Chiapas. O EZLN visa a combater as opressões sofridas pelos povos indígenas no México, e, mais que um grupo guerrilheiro, se auto-define como um movimento organizado em comunidades cuja organização política seria baseada na "democracia direta". O EZLN incorpora em sua luta tecnologias modernas como telefones via satélite e a internet como maneira de obter apoio interno e no estrangeiro.

Conceito da Organização

Seu nome homenageia a Emiliano Zapata Salazar, um dos líderes da Revolução Mexicana.

A teoria e a práxis zapatistas colocam-na a par de outros movimentos da chamada pós-Guerra Fria, tais como sem-terra, piquetero argentino, o cocalero boliviano, e okupa espanhol, o jovem francês contra o Contrato de Primero Emprego; ligados a um discurso que está etiquetado como contracultural que alguns autores identificam como uma suposta generación Z de movimentos de esquerda anticapitalistas que não buscam, a diferença de outros movimentos estadocentristas, a tomada do poder estatal.

Sua luta, que se pode dar um seguimento nas mãos de suas seis declarações políticas, se pode expressar com três pensamentos mínimos que vão do local ao global:

  1. A defesa de direitos coletivos e individuais negados aos povos indígenas mexicanos.
  2. A construção de um novo modelo de nação que inclua a democracia, a liberdade e a justiça como princípios fundamentais de una nova forma de fazer política. Obs: O EZLN entende que (mesmo no atual governo democrático) as categorias de base, os camponeses, muitos de origem ameríndia, ainda não usufruem da liberdade e justiça que a democracia deveria fortalecer. O movimento tem uma orientação marxista e entende conceitos como democracia e liberdade de forma diferente da do atual governo mexicano.
  3. O tecido de uma rede de resistências e rebeliões no mundo todo em nome da humanidade e contra o neoliberalismo.
Antecedentes

Durante o regime do partido único Partido Revolucionário Institucional (PRI) que durou mais de 70 anos, os movimentos camponeses, operários e populares que discordavam do modelo de nação priísta enfrentaram consecutivas e sistemáticas repressões; incluindo em ocasiões a perseguição, a prisão, o desaparecimento e o assassinato de centenas de estudantes, camponeses, trabalhadores, professores, etc., no largo e amplo território nacional do México. Isto provocou que muitos jovens consideraram os canais legais da participação política fechados e apostaram pela formação de organizações armadas para buscar a derrota do regime desde seu ponto de vista autoritário e melhorar as condições de vida da população.

Entre estas organizações de porte clandestino se encontram o Partido Revolucionário operário Clandestino União do Povo (PROCUP), a Associação Cívica Nacional Revolucionária (ACNR), o Partido dos Pobres (PDLP), a Liga Comunista 23 de Septembro e as Forças da Libertação Nacional (FLN). Deste último grupo, seguem o mesmo EZLN e de acordo com diversas fontes entre as que se encontram investigações do governo mexicano, surgiu o Exército Zapatista da Liberacão Nacional. Em um ato de 17 de novembro de 2006, o porta-voz do EZLN, Subcomandante Insurgente Marcos, afirmou: "Em Monterrey, Novo León, faz mais de 37 anos, um pequeno grupo de pessoas nasceram o que chamaram Forças da Libertação Nacional. Desde sua origem adotaram uma ética de luta que depois herdamos aqueles que somos parte do Exército Zapatista de Libertação Nacional." ao parecer, as FLN se fundaram aos finais da década de sessenta no norte do país (Monterrey, Nuevo León) e, a decir do general Mario Arturo Acosta Chaparro, em seu informe Movimentos subversivos no México, "tinham estabelecidas suas zonas de operações nos estados de Veracruz, Puebla, Tabasco, Nuevo León e Chiapas".

Em fevereiro de 1974 aconteceria em San Miguel Nepantla, Estado de México, um enfrentamento entre um comando doExército federal, na frente do qual estava o então tenente coronel Acosta Chaparro, e integrantes da FLN. Alguns destes perderiam a vida na raíz do combate, como Carmen Ponce e Dení Prieto, e outros seriam levados à prisão para serem depois torturados, como aconteceu a María Gloria Benavides.

Dado como certo o golpe de estado, a FLN se fechou a uma operação clandestina ainda mais fechada, e não teria sido até princípios da década de oitenta quando alguns deles decidiram a fundação de que agora conhecemos como Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Segundo documentos zapatistas, a historia do EZLN teve sete etapas. A primeira foi a de seleção dos líderes revolucionários (cinco homens e uma mulher) que formariam a primeira célula político-militar da organização. A segunda seria a da fundação propriamente dita do Exército Zapatista de Liberação Nacional, trás a instalação do primeiro acampamento zapatista em Chiapas, o que chamariam de "La Pesadilla". A terceira etapa foi de preparação, estudo de estratégia e tática militar, a partir de manuais dos exércitos estadounidense e mexicano; de instalação de novos acampamentos como "El Fogón", "Reclutas", "Baby Doc", "De la Juventud" e até um chamado "Margaret Thatcher".

Na quarta etapa, mais o menos em 1985, o grupo fez os primeiros contatos com os povos da região. A quinta etapa o mesmo EZLN a chama "de crescimento explosivo", porque sua área de influência abarcou não só a Selva Lacandona, senão também as zonas de Los Altos e de norte de Chiapas. A sexta etapa surge a partir de uma votação dentro da organização, e diz respeito a ir ou não a guerra contra o governo mexicano e, logo do "sim" majoritário, os preparativos para o levantamento (os zapatistas situam cronologicamente nesta etapa um conflito em maio de 1993 com elementos do Exército federal, no que chamaram "Batalha da Corralchén"). Entre a madrugada de 29 de dezembro de 1993 e a tarde de 31 se aconteceria a sétima etapa. O objetivo: atacar simultaneamente quatro centrais municipais e outras três a mais 'de brinde', reduzir as tropas policiais e militares nessas localizações e tomar de assalto dois grandes quartéis do Exército Federal.

O aparecimento do EZLN no cenário político acontece em 1993, durante a véspera do ano novo, com a tomada das centrais municipais de San Cristóbal de Las Casas, Altamirano, Las Margaritas e Ocosingo; e ainda, as de Oxchuc, Huixtán e Chanal. Nesse mesmo dia, dirigindo o avanço sobre Las Margaritas, município que albergaria ao que seria chamado o primeiro Aguascalientes zapatista, cairia morto o Subcomandante Insurgente Pedro, chefe do estado maior do EZLN.

Apesar de existirem diversos informes que davam conta da presença zapatista na região conhecida como os Altos de Chiapas, o ato tomaria desprevenido o Governo Federal, que se preparava para a entrada em vigor do Tratado do Livre Comércio da América do Norte entre Estados Unidos, Canadá e, precisamente, México.